Nação Magali

Pra quem não sabe, eu cursei um ano de design na Universidade Estadual de Maringá. Esse um ano foi suficiente para me mostrar o quanto sou apaixonada pelas artes gráficas e também para mostrar como tudo que parece natural na verdade é muito bem elaborado e estudado.

Durante o fim de semana passado conversei com amigos sobre o alto custo e consumo alimentício mensal. Sempre no fim do mês quando damos de cara com super valores gastos em comida, dá até vontade de fazer dieta afinal, não somos a Magali, personagem de Maurício de Souza, para comer todo nosso orçamento, certo? Mas aí entra a voz da minha mãe no fundo do meu pensamento dizendo: “Minha filha, não se economiza em comida!”. E aí a idéia cai por terra.

Porém nessa semana fui ao mercado e lembrei dessa conversa. Foi então que comecei a perceber o quando o design tem a ver com o assunto e como o nosso consumo é incentivado até pelo posicionamento das prateleiras. Foi então que resolvi escrever aqui, os detalhes que podem lhe influenciar no consumo. Assim, sabendo dessas armadilhas básicas fica mais fácil comprar apenas o essencial e quem sabe economizar um pouquinho.

1. Pesquise! Não é porque sua mãe, sua vó e sua tia vão ao mesmo mercado que você também precisa ir.  Não se deixe seduzir pelos grandes mercados. Alguns, realmente, pelo grande número de produtos ofertados, podem realizar ofertas melhores que os mercados menores. Porém algumas vezes frequentamos alguns mercados por costume (família) ou pela boa publicidade que realizam e isso não quer dizer, geralmente, ofertas de bons preços.

2. A música de fundo não serve apenas para seu divertimento durante as compras. A verdade é que o cliente não pode andar rápido e nunca deve chegar rapidamente ao produto que deseja.Usualmente, você só coloca itens no seu carrinho se fizer uma breve parada, ou reduzir a velocidade. Por esta razão, a loja faz o possível para que você pare várias vezes, ouça música e faça suas compras calmamente tendo tempo de olhar as ofertas à sua volta.

3. Tudo parado. O supermercado já é desenhado tendo em vista este objetivo (bastam 2 clientes para criar um congestionamento em qualquer curva, e fazer todo mundo parar ou andar beeeeem devagar), e ainda há dezenas de truques como os corredores de ovos de páscoa que param qualquer criança, atrações para adultos, escadas rolantes internas, distribuição de amostras, cafezinho, etc. Seria fácil acabar com os congestionamentos nas escadas rolantes dos shoppings, mas a quem isso interessaria?

4. Os itens que você compra com mais freqüência estão longe: geralmente no fundo ou na lateral da loja. Já os itens com maiores margens de lucro, que você compra por impulso ou em ocasiões especiais estão logo na entrada, e você tem que passar por vários deles até chegar à padaria, aos refrigerentes ou às frutas e verduras. E depois tem que passar por eles novamente na volta. Tentação em dose dupla!

5. Preços em locais estratégicos. Colocando os preços dos produtos que estão em oferta (geralmente com o vencimento próximo, ou parados no estoque) em locais de destaque, facilita-se que os consumidores optem por ele. Muitas vezes a comparação intuitiva (sem de fato fazer a conta completa em sua mente) leva o consumidor a não perceber qual seria de fato a opção mais vantajosa para ele.

6. Os itens mais comprados por impulso estão na fila do caixa: Todo consumidor passa longos minutos de tédio na fila para pagar, e a loja tenta garantir que ele tenha um bom suprimento de produtos pequenos e com alta margem de lucro ao seu redor: DVDs, revistas, chocolates selecionados (e sempre em embalagem individual), e até mesmo refrigerantes gelados, com forte apelo de consumo para quem passou uma hora arrastando um carrinho por uma área do tamanho de um estádio de futebol.

7. Os produtos mais caros estão na altura dos seus olhos: Procure a prateleira das pastas de dente, ou a do sabão em pó, e compare. A marca ou tamanho com maior margem de retorno para o supermercado estarão na altura dos seus olhos. As opções econômicas tendem a estar no nível do chão, e estariam no subsolo se o lojista conseguisse dar um jeito.

8.A ilusão do produto “classe A”: produtos com maior margem de lucro muitas vezes têm como seu diferencial apenas uma idéia ou conceito, no qual você é levado a acreditar apenas porque ele vem em uma embalagem diferente, ou porque é colocado em uma “área nobre”, ou – principalmente – devido aos comerciais dele na TV. Vocês já perceberam que a maioria das embalagens dos produtos seguem as cores dos produtos famosos?Isso não significa que não existem produtos nobres, mas sempre pare para pensar se o diferencial é real ou apenas uma ilusão.

9. O tamanho do carrinho: Lojas de departamentos e supermercados procuram oferecer carrinhos de compras espaçosos, para facilitar o surgimento da sensação de que ainda há muito espaço disponível, portanto você ainda pode pegar bem mais itens. Compare os carrinhos disponíveis em hipermercados que investem pesadamente em marketing, e o do mercadinho da sua rua: é bastante provável que o do hipermercado gigante e de dois andares enquanto do mercadinho seja apenas uma cestinha. Quem tem verba de marketing e pesquisa a psicologia do consumidor sabe que vale a pena investir nesta sensação.

10. Lista de compras. A maioria dos mercados sugere que você utilize as revistas com promoções para fazer suas compras. Mas o mais indicado mesmo é o uso de uma lista pessoal, afinal ninguém melhor do que você para saber o que realmente é necessário na sua casa. Além disso, a revistinha usa o mesmo recurso dos preços destacados e dão maior visão aos produtos encalhados e com validade a perigo.

Enfim consumidoras, fiquem espertas com esses artifícios do marketing, sempre façam uma listinha antes de ir as compras e organize seu consumo . OBS. Não façam compras com fome. A fome te traz a sensação de necessidade certos produtos que você compra na verdade por gula!

E quem quiser mais ajuda, pode fazer download da lista de compras da INFO downloads que é mais que um apoio no planejamento de suas compras. Ou ainda saber mais sobre economia no mercado com o economista e psicopedagogo Welinton dos Santos. E boas compras.

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3 pensamentos sobre “Nação Magali

  1. Hahaha mami é especialista nesse assunto! Tanto é q qd eu era pequena ela ODIAVA q eu fosse com ela no supermercado, pq sabia q ia gastar mais (dinheiro e paciência).
    E não é só em supermercado q isso acontece.
    Repare nas farmácias: os remédios (sabe, aquilo pelo qual vc entrou na farmácia) tá lá no fundo. Antes disso vem vários corredores e pratileiras com td qt vc possa “precisar”.
    Nessas horas é sempre bom ter foco!!!rsrsrs
    Bjinhussss

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  2. Certa vez a SUPER fez uma matéria mostrando aspectos como esses que tornam as lojas mais influentes sobre o consumo… Ele conta inclusive que lojas utilizam fragrâncias para tornar o ambiente mais agradável.

    Tem também aquele caso das lojas de conveniência que colocam, logo na entrada, cerveja e fraldas. Isso porque eles descobriram que boa parte das pessoas que compravam fraldas eram homens voltando do trabalho e os produtos eram comprados juntos, muitas vezes. Agora eles influenciam os que não pensavam em comprar cerveja ao comprar fraldas, colocando-as lado a lado.

    Faz a gente pensar, né!?

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  3. Olá Tatiana.

    Excelente artigo, observei que no ítem 3 poderia ser incluído que os supermercados não têm janelas e nem relógios, isso exatamente para fazer com que os consumidores esqueçam do tempo e permaneçam mais na loja. Meus parabéns novamente!

    😉

    =====
    O Régis citou aí em cima do caso da cerveja com as fraldas, na realidade eu ouvi que essa história se passa com os americanos, pois os hábitos de consumo se diferencia em cada região(neste caso País). 😉

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